Líder religioso é investigado por suposto golpe do câncer em Rondonópolis; vaquinha online arrecadou mais de R$ 11 mil

Um caso de fé, comoção e suspeita de crime está sendo investigado pela Polícia Civil em Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá). Um líder religioso é acusado de ter forjado um diagnóstico de câncer para sensibilizar fiéis e arrecadar dinheiro. A denúncia, registrada formalmente na delegacia, expõe uma teia de solidariedade que pode ter sido transformada em golpe.

De acordo com o boletim de ocorrência obtido pela reportagem, o homem alegava sofrer de um câncer no reto e, movidos pela fé e pela urgência da situação, os membros da congregação iniciaram uma verdadeira força-tarefa solidária. O ponto alto da campanha foi uma vaquinha virtual realizada em abril de 2025, que chegou ao montante de R$ 11.210,38.

Mas os apelos não pararam na internet. Os fiéis organizaram rifas, bazares beneficentes e gravaram vídeos comoventes pedindo doações. O prejuízo total, no entanto, pode ser ainda maior: os próprios organizadores admitem que perderam a conta do que foi arrecadado com essas ações paralelas.

A denúncia que chegou à polícia aponta um agravante: o dinheiro da vaquinha online foi sacado, mas o suspeito nunca apresentou qualquer prestação de contas. Sem respostas e com a pulga atrás da orelha, um dos comunicantes decidiu investigar por conta própria.

O denunciante percorreu hospitais, unidades de pronto atendimento e até mesmo entrou em contato com o plano de saúde indicado pelo líder. A conclusão foi unânime: não há absolutamente nenhum registro de diagnóstico ou tratamento oncológico em nome do investigado.

A farsa ganhou ainda mais força quando um laudo médico foi apresentado nos bastidores da investigação. O documento indica que o suspeito realizou apenas exames de rastreio de rotina, sem qualquer evidência de neoplasia (câncer) ou necessidade de tratamento emergencial.

A situação deixou os fiéis em uma sinuca de bico. Além do abalo emocional e financeiro, as vítimas agora temem ser responsabilizadas judicialmente, uma vez que foram elas que divulgaram os pedidos de ajuda e intermediaram parte das doações, acreditando estar salvando uma vida.

Procurada pela reportagem, a organização religiosa confirmou que o líder foi afastado temporariamente de suas funções até que os fatos sejam totalmente esclarecidos. Fiéis que acompanham o caso de perto afirmaram à redação que a medida veio justamente pela falta de provas sobre a doença.

A Polícia Civil de Rondonópolis agora investiga o caso para determinar se houve crime de estelionato ou falsidade ideológica, e principalmente, para onde foi parar o dinheiro doado por pessoas que agiram de boa-fé.

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Redação GNMT