O líder religioso Luiz Antônio Rodrigues Silva foi condenado a oito anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, por violação sexual mediante fraude contra duas adolescentes, em Cuiabá.
A sentença foi proferida pelo juiz João Bosco Soares da Silva, da 14ª Vara Criminal. Segundo a decisão, o réu — que também atua como advogado — utilizava sua posição de liderança espiritual para se aproximar das vítimas e manipulá-las.
De acordo com o processo, ele convencia as adolescentes de que os atos sexuais faziam parte de supostas obrigações impostas por entidades espirituais. Para a Justiça, houve comprometimento da liberdade de escolha das vítimas, caracterizando a fraude.
As investigações apontaram que o acusado atraía vítimas por meio do TikTok, onde divulgava atendimentos espirituais. Em um dos casos, a jovem foi levada até um motel sob o pretexto de realizar um “pagamento espiritual”.
A decisão também destacou que houve abuso de confiança e manipulação da fé, agravados pela repetição dos crimes contra diferentes vítimas, o que levou ao reconhecimento de continuidade delitiva e aumento da pena.
Além da prisão, a Justiça determinou a perda do cargo público que o réu ocupava como auditor municipal, por considerar a conduta incompatível com a função, e fixou indenização mínima por danos morais às vítimas.
O caso segue repercutindo, especialmente porque o acusado havia sido absolvido em outro processo recente, que tramitou em outra vara criminal da capital.