Ex-presidente do INSS atribui à Dataprev responsabilidade por fraudes bilionárias

O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Alessandro Stefanutto, afirmou em depoimento à Polícia Federal que não participou do esquema de fraudes envolvendo descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo a investigação, o prejuízo pode chegar a R$ 6 bilhões.

Stefanutto, que está preso desde novembro do ano passado, foi interrogado sobre sua relação com associações e decisões que autorizaram os descontos. Ele negou qualquer irregularidade e atribuiu a responsabilidade à Dataprev, estatal responsável pelo processamento dos dados da Previdência.

De acordo com fontes ligadas ao caso, o ex-presidente alegou que os dados para autorização dos descontos são enviados diretamente pelas associações à Dataprev, que seria responsável por toda a operação sistêmica.

No depoimento, Stefanutto também afirmou que, durante sua gestão, tentou combater irregularidades já apontadas internamente e chegou a solicitar informações à Polícia Federal para aprimorar a administração do órgão.

Em documento encaminhado anteriormente ao Congresso Nacional, ele já havia sustentado a mesma versão. No ofício, destacou que o INSS não possui acesso ao sistema responsável pela inserção dos dados e que todo o processamento dos descontos é feito pela Dataprev.

Apesar disso, entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2025, foram registradas 4.925 reclamações de descontos indevidos na Ouvidoria do INSS, indicando a continuidade das irregularidades.

A investigação ganhou força após uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, realizada em abril, que resultou no afastamento de Stefanutto e de outros integrantes da cúpula do INSS.

Após o escândalo, o ex-presidente foi demitido do cargo. O então ministro da Previdência, Carlos Lupi, também deixou a função dias depois da operação.

Procurada, a Dataprev não se manifestou até a última atualização do caso. As investigações seguem em andamento.

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Redação GNMT