A temporada de 2025 ficará marcada como um dos anos mais difíceis da história recente de São Paulo e Santos. Entre expectativas elevadas, sucessivas lesões, mudanças no comando técnico e eliminações dolorosas, os dois gigantes do futebol paulista passaram boa parte do Campeonato Brasileiro convivendo com o risco real de rebaixamento. Ao fim da competição, o desfecho foi de alívio: ambos conseguiram permanecer na Série A e ainda asseguraram vaga na Copa Sul-Americana de 2026.
O São Paulo iniciou 2025 cercado de otimismo. A chegada de Oscar, apresentada durante a pré-temporada nos Estados Unidos, simbolizava um projeto ambicioso liderado pelo técnico Luiz Zubeldía, que apostou no quarteto ofensivo formado por Lucas, Oscar, Luciano e Calleri. O time respondeu bem no início do ano, com campanha sólida no Campeonato Paulista, vitórias expressivas em clássicos e liderança na fase de grupos.
No mata-mata estadual, o Tricolor chegou às semifinais, mas foi eliminado pelo Palmeiras em partida marcada por polêmica e por um pênalti decisivo. A partir dali, o cenário mudou. Lesões importantes passaram a comprometer o desempenho da equipe: Lucas atuou boa parte da temporada limitado fisicamente, enquanto Calleri sofreu lesão grave e ficou fora do restante do ano.
Apesar do bom desempenho inicial na Libertadores, encerrando a fase de grupos com uma das melhores campanhas, o São Paulo não conseguiu manter regularidade no Brasileirão. A derrota em casa para o Vasco selou a demissão de Zubeldía. A diretoria apostou no retorno de Hernán Crespo, que conseguiu reorganizar o time e afastá-lo da zona de rebaixamento.
Nos torneios eliminatórios, no entanto, vieram novas decepções. O Tricolor caiu na Copa do Brasil, eliminado nos pênaltis, e se despediu da Libertadores ainda nas quartas de final, após duas derrotas consecutivas. O ambiente ficou ainda mais delicado com o problema de saúde de Oscar, que chegou a ser internado e teve sua continuidade na carreira colocada em dúvida.
Uma goleada sofrida na reta final do Brasileirão escancarou a fragilidade da equipe. Sem forças para brigar por uma vaga direta na Libertadores, o São Paulo terminou o campeonato fora do G-6, garantindo apenas a classificação para a Sul-Americana. Para 2026, a diretoria já admite a necessidade de uma ampla reformulação.
De volta à Série A, o Santos começou o ano em clima de festa com o retorno de Neymar. O camisa 10 foi decisivo no Campeonato Paulista, marcou gols importantes e assumiu protagonismo imediato. Mesmo assim, o time não passou das semifinais, sendo eliminado após perder seu principal jogador por lesão.
O desempenho irregular no início do Brasileirão resultou na demissão de Pedro Caixinha. A mudança não surtiu efeito imediato. Na Copa do Brasil, o Peixe foi eliminado precocemente, aumentando a pressão. Sem competições paralelas, o foco total passou a ser o campeonato nacional, mas a equipe seguiu instável, alternando boas atuações com derrotas contundentes.
Uma goleada sofrida no segundo turno provocou nova troca no comando técnico. Juan Pablo Vojvoda assumiu com a missão clara de evitar o retorno à Série B. O desafio se intensificou com novas lesões de Neymar, que ficou afastado por longo período.
Na reta final, porém, o Santos reagiu. A recuperação do camisa 10, aliada a vitórias decisivas, devolveu confiança ao elenco. Um triunfo emblemático diante de um rival direto na Vila Belmiro foi determinante para afastar o risco de queda. O Peixe confirmou a permanência na elite e, assim como o São Paulo, garantiu vaga na Sul-Americana de 2026.
Para São Paulo e Santos, o encerramento de 2025 representa mais alívio do que comemoração. Evitar o rebaixamento foi fundamental, mas o desempenho abaixo das expectativas acendeu o alerta. O próximo ano exigirá planejamento rigoroso, ajustes profundos e decisões estratégicas para que dois clubes de tradição centenária não voltem a conviver com o mesmo risco.
A temporada termina sem glória, mas com a certeza de que o pior foi evitado — e de que 2026 precisará ser tratado como um recomeço.