Investigado, de 30 anos, confessou gravar vídeos íntimos sem consentimento para chantagear vítimas; sete casos já foram identificados.
A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, na manhã desta quarta-feira (28), nas proximidades da Rodoviária de Cuiabá, um homem suspeito de comandar uma série de crimes de extorsão contra homens homossexuais da capital. A ação foi resultado de investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), que desmontou um esquema de “sextorsão” – chantagem com base em conteúdos íntimos.
O suspeito, de 30 anos, estava com mandado de prisão preventiva decretado pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá. A Justiça também autorizou busca e apreensão domiciliar, quebra de sigilo telemático e bloqueio de valores de até R$ 40 mil.
De acordo com as investigações, o criminoso usava aplicativos de relacionamento e bate-papo como Scoka, Bate Papo UOL e Grindr para se aproximar das vítimas. Iniciava conversas de cunho sexual e íntimo para, em seguida, coletar informações pessoais e materiais comprometedores.
Em depoimento à polícia, ele confessou que gravava vídeos dos encontros sem o conhecimento das vítimas. Com o material em mãos, partia para as ameaças: exigia transferências via Pix, sob a promessa de não divulgar os registros íntimos. Os valores eram depositados em conta de um terceiro.
“Ele agia de forma calculada, criando uma relação de confiança para depois chantagear. As vítimas, com medo da exposição, acabavam cedendo”, detalhou fonte policial.
Até o momento, sete vítimas foram identificadas, mas a polícia acredita que o número pode ser maior. As investigações começaram após as primeiras vítimas registrarem boletins de ocorrência, o que permitiu cruzar dados e identificar um padrão.
Segundo a GCCO, o suspeito também é soropositivo, fato que pode ter sido usado como elemento adicional de coerção.
Após dias de diligências, a prisão foi efetivada próximo à Rodoviária. O homem foi interrogado, confessou os crimes e foi encaminhado para audiência de custódia, onde permanece à disposição da Justiça.
A polícia orienta que outras possíveis vítimas busquem uma delegacia para registrar ocorrência, uma vez que a prisão do suspeito pode encorajar novas denúncias.