O caso foi registrado em Alto Araguaia, a 418 km de Cuiabá. Aos policiais, a vítima contou uma rotina de terror. Em uma das ocasiões, o suspeito manuseava um objeto pesado dentro de uma meia enquanto dizia que iria matá-la. Em outra, afirmou que buscaria armas de fogo — uma pistola e uma espingarda calibre 12 — para executar o crime.
Na véspera do boletim de ocorrência, a violência psicológica quase transbordou para o físico. O homem tentou manter relação sexual com a adolescente. Diante da recusa, surtou. Discutiu, ameaçou e, num gesto de fúria, usou o próprio carro como arma: jogou o veículo em direção à residência da jovem, repetindo que iria matá-la.
Quando a PM chegou, o suspeito foi localizado em um VW Gol Plus prata. Durante a abordagem, nada de armas. Mas os sistemas policiais revelaram um passado que ele carregava como sombra: 26 passagens criminais, a maioria por violência doméstica e contra mulheres. Mais que isso: um mandado de prisão preventiva em aberto, expedido pelo Tribunal de Justiça de Roraima, o transformava oficialmente em foragido.
O homem foi preso sem lesões e conduzido à Delegacia da Polícia Civil de Alto Araguaia. Agora, responde não apenas pelo mandado interestadual, mas por todas as ameaças e violências impostas à adolescente durante um ano inteiro de silêncio.
O caso escancara uma realidade recorrente e brutal: mulheres e meninas aprisionadas em relacionamentos abusivos, muitas vezes ao lado de homens com extensas fichas criminais que, ainda assim, continuavam livres para circular, ameaçar e aterrorizar.
Desta vez, ao menos, o ciclo foi interrompido.
Ainda não há informações sobre medidas protetivas solicitadas pela vítima ou sobre o andamento do processo em Roraima. Acompanhe os desdobramentos.