Uma operação policial revelou um suposto esquema de desvio de cestas básicas e kits de higiene em Barra do Garças, no Mato Grosso, envolvendo cinco vereadores e dois servidores públicos. O prejuízo estimado chega a R$ 1,95 milhão.
As investigações apontam que cerca de 13 mil cestas e kits, destinados a famílias em situação de vulnerabilidade, foram desviados antes de chegar ao destino final.
Entre os investigados estão os vereadores Allan Construtor, Adilson Tavares Lopes, Valdeí Leite Guimarães, Armando José de Brito e Elton Melo. Também são alvos dois servidores que atuariam diretamente na parte logística do esquema.
De acordo com o Ministério Público, o grupo operava de forma organizada, utilizando veículos particulares, imóveis e até espaços ligados a associações para movimentar e armazenar os produtos.
A apuração indica que as cargas eram retiradas de centros oficiais de distribuição, principalmente em Cuiabá, e levadas para Barra do Garças. No entanto, em vez de seguirem para entidades autorizadas, os itens eram desviados para locais privados, como residências, chácaras e outros pontos sem controle público.
O esquema funcionava em dois formatos. Um deles seguia o fluxo legal, com documentação e distribuição regular. Já o outro, considerado irregular, utilizava documentos suspeitos e intermediários sem autorização formal para dar aparência de legalidade às retiradas.
Nesse modelo paralelo, as cestas eram descarregadas em locais clandestinos e depois redistribuídas sem registro oficial, o que dificultava o rastreamento dos produtos.
Os servidores investigados seriam responsáveis por coordenar a logística, mantendo contato com motoristas, organizando os pontos de entrega e até realizando pagamentos relacionados ao transporte.
Já os vereadores aparecem nas investigações como participantes no recebimento, retirada ou distribuição das cestas fora dos canais oficiais.
O Ministério Público solicitou medidas como prisão preventiva e afastamento dos envolvidos, mas ainda não há confirmação sobre o cumprimento dessas decisões.
A Câmara Municipal informou que acompanha o caso e que deve colaborar com as autoridades.
O caso segue em investigação.