Morreu na manhã desta segunda-feira (17 de fevereiro de 2026), em Cuiabá (MT), o artista plástico japonês Hideo Hashimoto, de 93 anos, conhecido por ser sobrevivente da explosão da bomba atômica lançada sobre Nagasaki, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.
Hashimoto vivia no Brasil há várias décadas e era reconhecido tanto pelo seu trabalho artístico quanto pelo seu testemunho sobre os horrores da guerra. Ele residia em Cuiabá, onde participou de eventos públicos, exposições e ações educativas abordando a importância da paz mundial e da memória histórica.
Nascido em Nagasaki, Hideo tinha apenas 9 anos quando a bomba atômica foi lançada sobre a cidade em 9 de agosto de 1945. Ele sobreviveu ao ataque que destruiu grande parte do local e causou a morte de dezenas de milhares de pessoas — e carregou consigo essa experiência ao longo da vida.
Ao chegar ao Brasil ainda jovem, Hashimoto dedicou-se às artes plásticas e passou a utilizar sua trajetória pessoal para promover reflexões sobre os efeitos da guerra e a necessidade de diálogo entre os povos.
Em Mato Grosso, ele ficou conhecido por exposições que integravam elementos de sua história de vida com abordagens contemporâneas em pintura e escultura. Hashimoto frequentemente incentivava jovens artistas e participou de atividades culturais e educativas em instituições da capital.
Sua voz como sobrevivente de Nagasaki era frequentemente solicitada em palestras e encontros que abordavam temas como memória histórica, desarmamento nuclear e direitos humanos, sendo considerado um importante portador de memória sobre um dos episódios mais dramáticos do século XX.
A família informou que Hideo Hashimoto teve complicações de saúde nos últimos dias e faleceu na manhã de segunda-feira em uma unidade de saúde de Cuiabá. O velório e sepultamento foram organizados pelos familiares com participação de amigos, artistas e representantes da comunidade cultural da região.
Em comunicado, parentes destacaram que o artista viveu intensamente até os últimos anos, mantendo contato com a arte e com iniciativas educativas que buscavam inspirar reflexões sobre paz, convivência e respeito entre as nações.
Autoridades culturais e representantes de instituições de ensino e arte lamentaram a morte de Hashimoto, destacando sua contribuição para o cenário artístico local e seu papel como lembrança viva do impacto da guerra sobre civis inocentes.
A Prefeitura de Cuiabá e centros culturais da região devem promover, em data a ser divulgada, uma homenagem póstuma ao artista, reconhecendo o legado deixado tanto na arte quanto na promoção de valores humanos e sociais.