Equipe trabalha integrada, realiza visitas domiciliares e acompanha pacientes para evitar perda de consultas e exames especializados
O atendimento humanizado na saúde pública tem ganhado destaque na unidade de saúde do bairro João de Barro. A proposta é oferecer aos moradores acolhimento, acompanhamento próximo e um atendimento de qualidade, especialmente às pessoas que mais dependem dos serviços públicos de saúde.
Durante entrevista, a enfermeira gestora da unidade, Débora Mangialardo, relatou que uma das orientações recebidas no início da atual gestão foi para que os profissionais priorizassem o atendimento humanizado à população.
Segundo Débora, durante uma reunião com os enfermeiros gestores das unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF), o prefeito Cláudio Ferreira reforçou a importância de atender os moradores com respeito, acolhimento e qualidade.
“Quem não quiser atender a população de acordo com o que a população merece, desde o senhorzinho, a pessoa mais idosa, a pessoa mais carente, como se estivesse numa clínica particular, com acolhimento e atendimento de qualidade, pede para sair”, relatou a enfermeira, ao relembrar a orientação recebida.
Trabalho integrado entre os profissionais
Na unidade, o atendimento é organizado por meio de reuniões periódicas e alinhamento entre os profissionais. As orientações e decisões são registradas em ata, com o objetivo de manter uma atuação integrada entre enfermagem, médicos e demais integrantes da equipe.
Débora explica que essa integração permite uma avaliação mais completa dos pacientes e facilita a definição das condutas necessárias em cada atendimento.
“Eu, como enfermeira, não posso prescrever um medicamento, mas a médica participa da minha consulta. Eu relato o que visualizei naquele momento e ela avalia. Assim, o paciente já sai daqui medicado e tratado”, explicou.
Atendimento domiciliar aproxima equipe dos pacientes
Outro serviço destacado pela unidade é o acompanhamento domiciliar de pacientes acamados ou que possuem dificuldade de locomoção.
As agentes comunitárias de saúde têm papel importante nesse processo. Elas identificam as demandas nas comunidades e repassam as informações à equipe, que organiza as visitas.
Segundo a gestora, os atendimentos domiciliares são realizados principalmente às quintas-feiras pela manhã. Durante as visitas, os profissionais avaliam os pacientes, registram as informações no prontuário e acompanham a evolução de cada caso.
Quando necessário, a equipe também realiza procedimentos nas residências, como troca de sondas, administração de medicamentos e curativos.
Comunicação ajuda a evitar perda de consultas e exames
A unidade também busca fortalecer a comunicação com os pacientes sobre consultas, exames e encaminhamentos para especialistas.
Quando o paciente não é localizado por telefone, a agente comunitária de saúde pode ir até a residência para comunicar a liberação de um exame ou consulta.
A informação também é registrada no prontuário, permitindo que a equipe tenha controle sobre a comunicação realizada e reduzindo o risco de o paciente perder uma vaga para atendimento especializado.
De acordo com Débora, problemas de comunicação já ocorreram anteriormente, mas atualmente são considerados pontuais diante da organização adotada pela equipe.
Encaminhamentos para especialistas apresentam maior agilidade
Durante a entrevista, a enfermeira também destacou a percepção da equipe sobre a redução no tempo de espera para alguns encaminhamentos especializados.
Segundo ela, solicitações que anteriormente poderiam levar meses para serem liberadas atualmente estão sendo atendidas em períodos menores, dependendo da especialidade e da prioridade estabelecida para cada paciente.
“Hoje, solicitações que a doutora faz para especialista, em uma semana, 15 dias, 20 dias no máximo, já estão liberando essas vagas”, afirmou.
Ela citou ainda um caso recente de encaminhamento para urologia em que o paciente recebeu classificação de prioridade e a vaga foi disponibilizada em aproximadamente cinco dias.
A experiência relatada pela equipe da unidade João de Barro reforça a importância da integração entre enfermeiros, médicos, agentes comunitários de saúde e demais profissionais para acompanhar de perto os pacientes e facilitar o acesso aos serviços da rede pública.