Júlio Campos, Janaína Riva, Emanuelzinho, Eduardo Botelho e Carlos Fávaro estão entre os nomes que não conquistaram os mandatos disputados. Resultados mostram mudanças na representação política, mas também a permanência de grupos tradicionais.
As eleições de 2026 deixaram um recado importante para a política de Mato Grosso: nomes conhecidos e grupos com trajetória consolidada enfrentaram dificuldades para conquistar as vagas disputadas. O resultado abriu espaço para um novo debate sobre a força das lideranças tradicionais, a renovação dos quadros políticos e a capacidade de mobilização eleitoral.
Entre os resultados que chamaram a atenção estão as derrotas de Júlio Campos, Janaína Riva, Emanuelzinho, Eduardo Botelho e Carlos Fávaro. Apesar de trajetórias distintas, os candidatos não conseguiram conquistar os mandatos que disputaram.
QUANTIDADE DE VOTOS: O QUE MOSTRAM AS URNAS?
Os resultados da eleição de 4 de outubro, com base nos dados divulgados a partir da totalização do TSE, mostram diferentes cenários para os candidatos.
Júlio Campos (União Brasil): recebeu 18.517 votos na disputa para deputado estadual e não foi reeleito.
Janaína Riva (MDB): obteve 519.434 votos na disputa pelo Senado, terminando na terceira colocação.
Emanuelzinho (PSD): recebeu 50.951 votos para deputado federal, mas não conquistou uma das oito vagas de Mato Grosso na Câmara.
Eduardo Botelho (MDB): obteve 37.359 votos para deputado estadual, mas ficou fora da lista de eleitos.
Carlos Fávaro (PSD): recebeu 411.020 votos para o Senado e terminou na quarta colocação.
Os números evidenciam que a quantidade de votos, por si só, não garante a eleição. Nas disputas proporcionais para deputado estadual e federal, a distribuição das cadeiras também depende do desempenho dos partidos e das federações, conforme as regras eleitorais.
RENOVAÇÃO OU CONTINUIDADE?
À primeira vista, as derrotas de políticos conhecidos podem ser interpretadas como sinal de mudança no comportamento do eleitorado. Entretanto, o cenário exige uma análise mais ampla.
A saída de determinadas lideranças não significa necessariamente o desaparecimento de suas bases eleitorais ou a ruptura com os grupos políticos aos quais estão ligadas. Em muitos casos, a disputa eleitoral representa uma reorganização de alianças, lideranças regionais e estratégias partidárias.
Ao mesmo tempo, a permanência de parlamentares experientes demonstra que a renovação política não ocorre de maneira uniforme. Parte do eleitorado opta por nomes já conhecidos, enquanto outra parcela escolhe representantes que considera capazes de oferecer novas propostas ou respostas às demandas locais.
O PESO DAS FAMÍLIAS E DAS BASES REGIONAIS
Em Mato Grosso, a história política de diferentes regiões foi marcada pela presença de lideranças com forte identificação territorial.
A família Campos construiu uma trajetória ligada a Várzea Grande e à região metropolitana. Na política cuiabana, Emanuel Pinheiro e seu grupo também tiveram presença relevante. Já a família Riva estabeleceu relações políticas em diferentes municípios do interior, enquanto Eduardo Botelho consolidou sua trajetória na Assembleia Legislativa.
Essas bases não são estáticas. Mudanças no perfil do eleitorado, nas alianças partidárias, na comunicação política e nas prioridades da população podem alterar a capacidade de mobilização de lideranças tradicionais.
O resultado de 2026 oferece elementos para investigar se essas mudanças representam apenas derrotas individuais ou se apontam para uma transformação mais profunda na distribuição do poder político estadual.
O QUE SIGNIFICA UMA NOVA POLÍTICA EM MATO GROSSO?
O debate sobre uma nova política não deve se limitar à troca de sobrenomes ou à chegada de novos candidatos. Também envolve a maneira como os representantes exercem seus mandatos, apresentam resultados, prestam contas e mantêm diálogo com a população.
A eleição, portanto, não encerra essa discussão. Pelo contrário, abre uma nova etapa de cobrança pública sobre os eleitos e de análise sobre o desempenho daqueles que não conseguiram renovar seus mandatos.
A pergunta que fica é: Mato Grosso está passando por uma renovação política ou apenas por uma reorganização dos grupos que disputam o poder?
O acompanhamento da próxima legislatura, das alianças regionais e das decisões dos novos representantes será fundamental para compreender o alcance das mudanças reveladas pelas urnas.