A Polícia Judiciária Civil desenterrou, na manhã desta sexta-feira (30), um corpo a aproximadamente quatro metros de profundidade em um poço de propriedade rural na região do Campo Limpo, zona rural de Rondonópolis. A descoberta macabra é o ponto culminante de uma sequência violenta de crimes que assola o município desde o último sábado (24).
O cadáver foi localizado com o auxílio de uma retroescavadeira, em operação conjunta entre policiais civis e bombeiros. De forma preliminar, os investigadores identificaram a vítima como Jair Júnio Queiroz Balero, 28 anos, com base em tatuagens e características físicas. A confirmação oficial, no entanto, aguarda exames periciais.
Um detalhe chocante chamou a atenção da perícia: a perna direita da vítima apresentava amputação do joelho para baixo, exatamente no local onde ficava uma tornozeleira eletrônica. A principal suspeita dos investigadores é de que o corte teve como objetivo impedir o rastreamento do equipamento, já que uma violação poderia indicar às autoridades a localização do corpo.
A descoberta está diretamente relacionada a uma série de crimes graves que começaram no sábado (24):Homicídio na Vila Mineira: Deuzimar Rodrigues de Lima, 48 anos, foi executado com vários tiros de carabina calibre .357 dentro de sua própria casa, enquanto tomava banho.
Veículo incendiado e tentativa de homicídio no Lajeadinho: Horas depois, na comunidade rural do Lajeadinho, policiais encontraram um carro em chamas com um corpo carbonizado dentro. No mesmo local, Belizario Gomes de Lima, o "Belo", foi baleado no pescoço. Gravemente ferido, mas consciente, ele conseguiu identificar para a polícia o nome de seu suposto atacante antes de ser entubado.
A investigação tomou um rumo familiar e trágico. A polícia trabalha com a hipótese de que o corpo carbonizado dentro do veículo seja de Jair Pedro Balero, 49 anos, pai de Jair Júnio. Jair Pedro tinha passagens por tráfico de drogas. A confirmação também depende de perícia devido ao estado do corpo.
A linha investigativa principal aponta que Jair Pedro teria assassinado o próprio filho na quarta-feira (21), enterrando-o no poço. No sábado (24), ele teria cometido o homicídio na Vila Mineira e, em seguida, tentado matar "Belo" no Lajeadinho, antes de morrer no episódio do carro incendiado. As circunstâncias da morte do pai – se acidente, homicídio ou suicídio – ainda são analisadas.
O registro de desaparecimento de Jair Júnio, feito pela família na quarta-feira (28), foi crucial. A polícia passou a cruzar informações e chegou à hipótese de que o jovem teria sido levado pelo pai para a zona rural da família, o que direcionou as buscas para a propriedade onde o corpo foi encontrado.
Jair Júnio possuía diversas passagens pela polícia, incluindo roubo, tráfico e associação para o tráfico de drogas, corrupção de menores, porte ilegal de arma, receptação, resistência, direção perigosa e condução sem habilitação. Ele também era suspeito em uma tentativa de latrocínio contra um sargento da PM em 2016.
A Polícia Judiciária Civil informou que as investigações estão em andamento. Exames periciais, laudos do IML e confrontos balísticos são aguardados para esclarecer definitivamente a dinâmica dos fatos, confirmar as identidades e apontar responsabilidades por essa complexa trama criminal.