O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a prisão preventiva de quatro policiais militares acusados de forjar um confronto para justificar a posse da arma usada no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ocorrido em 5 de julho de 2024, em Cuiabá (MT). A decisão foi proferida pela ministra Maria Marluce Caldas e publicada nesta quarta-feira (18 de fevereiro de 2026), atendendo a um recurso apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT).
A ministra Maria Marluce acolheu o pedido do MP-MT para restabelecer a prisão preventiva dos militares, contrariando decisões anteriores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) que haviam mantido os policiais em liberdade provisória. Ela afirmou que, diante da gravidade dos crimes que lhes são imputados, da atuação policial no caso e da necessidade de proteger a ordem pública e a instrução criminal, a custódia cautelar é “justa e necessária”.
Foram beneficiados pela determinação do STJ os seguintes policiais:
Jorge Rodrigo Martins
Leandro Cardoso
Wailson Alesandro Medeiros Ramos
Wekcerlley Benevides de Oliveira
Os quatro são acusados em um processo que engloba homicídio consumado, duas tentativas de homicídio, fraude processual, porte ilegal de arma de fogo e organização criminosa. Segundo o MP-MT, a simulação do confronto teria servido para tentar justificar a posse de uma pistola que teria sido utilizada no homicídio do advogado.
Na decisão, a ministra também ressaltou que existe risco de intimidação de vítimas sobreviventes e de testemunhas, além do potencial de interferência na instrução processual caso os policiais permaneçam em liberdade.
O caso que ficou conhecido publicamente como “Caso Renato Nery” começou em 5 de julho de 2024, quando o advogado Renato Gomes Nery, então com 72 anos, foi atingido por disparos enquanto chegava ao seu escritório em Cuiabá. Ele foi socorrido, passou por uma cirurgia, mas morreu no dia seguinte.
Uma semana depois, em 12 de julho de 2024, policiais militares relataram ter participado de um confronto armado com suspeitos em outro ponto da cidade e apresentado armas — entre elas uma pistola Glock — que, conforme perícia balística, estavam ligadas ao homicídio do advogado. No entanto, a investigação apontou que o confronto teria sido forjado para inserir a arma no processo de apuração.
Antes da decisão do STJ, os policiais chegaram a ser soltos pela Justiça de Mato Grosso, que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, como recolhimento domiciliar noturno e proibição de contato com vítimas e testemunhas. Essa liberdade havia sido mantida mesmo após recurso do MP no tribunal estadual.
Com a decisão do STJ, as prisões preventivas foram restabelecidas enquanto o processo ainda tramita, buscando assegurar que os investigados não prejudiquem a investigação ou o andamento do julgamento.