A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta quarta-feira (4), em Cuiabá, a Operação Smoke, que mira um grupo de advogados e profissionais do Direito investigados por exploração de prestígio e associação criminosa. Eles são suspeitos de prometer decisões judiciais favoráveis a familiares de pessoas presas, sob alegação de influenciar membros do Poder Judiciário, em troca de pagamento de valores elevados.
Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 15 ordens judiciais, incluindo:
3 mandados de busca e apreensão;
3 mandados de imposição de medidas cautelares diversas da prisão;
9 ordens de afastamento de sigilos — bancário, fiscal e telemático — emitidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá.
A Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Mato Grosso (OAB-MT) acompanhou o cumprimento das buscas nas residências ligadas aos investigados, em observância às prerrogativas legais.
Conforme as investigações conduzidas pela Delegacia de Estelionato de Cuiabá, os principais alvos da ação são:
Gustavo Barros dos Santos — advogado regularmente inscrito na OAB;
Liomar Santos de Almeida — advogado regularmente inscrito na OAB;
Dimas Pimentel Barroso — bacharel em Direito, também investigado na operação.
Segundo a polícia, o grupo criminoso abordava familiares de pessoas presas e prometia a obtenção de decisões judiciais favoráveis, afirmando possuir influência sobre magistrados. Em troca, exigiam pagamentos altos, sob o argumento de que os valores seriam destinados a terceiros com suposta capacidade de interferir nas decisões.
As negociações eram feitas por meio de encontros presenciais e comunicações por aplicativos de mensagens, sempre orientando os clientes a manter sigilo absoluto sobre as conversas.
Além das buscas, a Justiça determinou cautelares para os investigados, como:
comparecimento periódico em juízo;
proibição de manter contato entre si e com testemunhas;
proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial;
entrega de passaportes;
monitoramento eletrônico com tornozeleira.
O uso da tornozeleira eletrônica foi implementado durante a operação, com apoio da Polícia Penal, para assegurar o controle judicial dos deslocamentos dos suspeitos e prevenir eventual reiteração criminosa.
A ação foi batizada de Operação Smoke, termo que faz referência à expressão utilizada no meio jurídico para descrever o crime de exploração de prestígio, também conhecido como “venda de fumaça” — quando um agente promete influência inexistente junto a autoridades públicas em troca de vantagem econômica.