O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Orlando de Almeida Perri, determinou o afastamento de 22 policiais penais investigados por suspeitas de maus-tratos, violência e abuso de autoridade dentro de unidades prisionais do estado.
A decisão foi assinada nesta quarta-feira (20) no âmbito de um habeas corpus coletivo que apura possíveis violações contra presos no sistema penitenciário mato-grossense.
Segundo o documento, os agentes atuavam nas cadeias públicas de Araputanga, Cáceres e Mirassol d’Oeste. Eles deverão ser retirados das unidades e transferidos para funções administrativas, sem contato direto com detentos.
As investigações começaram após inspeções realizadas pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (GMF/MT), entre os dias 2 e 4 de março deste ano.
Os relatórios apontaram denúncias de agressões físicas, uso excessivo de spray de pimenta e gás lacrimogêneo em celas fechadas, além de punições consideradas degradantes e possíveis represálias contra presos que denunciaram os fatos.
Na decisão, o magistrado afirmou existir “grau suficiente de plausibilidade” nas denúncias apresentadas pelos detentos. Segundo ele, a permanência dos policiais nas unidades poderia intimidar vítimas e testemunhas, além de comprometer o andamento das investigações.
O desembargador também determinou a abertura de inquéritos para apurar possíveis crimes praticados pelos agentes. As investigações ficarão sob responsabilidade da Polícia Civil de Mato Grosso.
Conforme consta na decisão judicial, presos relataram situações como:
Ao menos 23 servidores foram mencionados nos relatos, sendo nove em Araputanga, 11 na unidade masculina de Cáceres e três em Mirassol d’Oeste.
O magistrado destacou ainda que as condutas descritas extrapolam a esfera administrativa. Com isso, foi determinada a identificação completa dos envolvidos e a instauração de Processos Administrativos Disciplinares (PADs) no prazo de até 48 horas após a intimação.
Em fevereiro deste ano, a Justiça já havia determinado o afastamento de 14 policiais penais investigados por suspeitas de violência contra reeducandos da Penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, conhecida como Ferrugem, em Sinop.
Na ocasião, também foi determinada a exumação do corpo do detento Walmir Paulo Brackmann, que morreu após inalar spray de pimenta dentro da unidade prisional.
Além disso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, em janeiro, o pedido para suspender o afastamento do diretor e do subdiretor da penitenciária de Sinop.
Os gestores são investigados por suspeitas de participação em um suposto plano de atentado contra autoridades judiciais, além de denúncias relacionadas a tratamento desumano contra detentos e falhas nos protocolos de segurança.
Em outra decisão, o desembargador Orlando Perri também determinou que o governo estadual adote medidas emergenciais para corrigir problemas estruturais, racionamento de água e denúncias de maus-tratos em sete unidades prisionais de Mato Grosso.