O Instituto Médico Legal (IML) de Barra do Garças foi interditado eticamente pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) após uma fiscalização identificar uma série de irregularidades consideradas graves na unidade.
Entre os problemas encontrados estão produtos químicos vencidos há mais de dez anos, materiais utilizados em exames fora do prazo de validade e ossos humanos armazenados de forma inadequada em uma caixa aberta dentro de uma sala destinada ao depósito de materiais de limpeza.
A decisão de interdição foi aprovada por unanimidade pelo plenário do CRM-MT após análise do relatório elaborado durante vistoria realizada em março deste ano.
Segundo o Conselho, a medida impede a realização de atendimentos médicos no local até que as irregularidades apontadas sejam corrigidas.
Além dos materiais vencidos e do armazenamento inadequado de restos mortais, os fiscais identificaram diversos problemas estruturais e sanitários. Entre eles estão a falta de água potável adequada para consumo, ausência de banheiro para os profissionais, inexistência de espaço de repouso médico, falta de itens básicos de higiene, problemas de acessibilidade e ausência de equipamentos obrigatórios.
O relatório também aponta que a unidade não possui alvarás sanitários e de prevenção contra incêndio válidos, além de não contar com registro junto ao CRM-MT nem diretor técnico formalmente constituído.
Outras irregularidades incluem precariedade nos ambientes de necropsia, armazenamento inadequado de amostras biológicas, falhas no gerenciamento de resíduos infectantes, falta de equipamentos de proteção individual e ausência de estrutura adequada para realização de exames em casos de violência sexual.
O presidente do CRM-MT, Adriano Pinho, afirmou que a interdição foi necessária diante da falta de condições mínimas para o exercício da medicina e para a segurança dos profissionais e da população atendida.
Em nota, a Perícia Oficial e Identificação Técnica informou que já está implementando as adequações apontadas pela fiscalização e que vem promovendo melhorias em equipamentos, insumos e condições de trabalho em suas unidades no estado.
O caso segue sendo acompanhado pelo CRM-MT, que avaliará a regularização da unidade antes de autorizar a retomada dos atendimentos médicos no local.