O empresário do agronegócio Leandro Zavodini voltou a ser alvo de uma operação policial em Mato Grosso. Ele foi um dos investigados na terceira fase da Operação Safra Desviada, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco-MT) na quinta-feira (13).
A operação apura um suposto esquema de desvio de cargas de grãos pertencentes ao Grupo Lermen. Ao todo, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Boa Esperança do Norte, Ipiranga do Norte e Tabaporã.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 120 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados. A medida tem como objetivo garantir eventual ressarcimento dos prejuízos e preservar valores relacionados aos crimes investigados.
Segundo o Gaeco, o grupo teria atuado de maneira organizada para desviar cargas de grãos do Grupo Lermen. Os investigadores apontam que os envolvidos teriam utilizado funções e posições ocupadas nas empresas para facilitar os supostos desvios.
Entre os alvos da operação estão, além de Zavodini, as empresas Agrícola Faccio Ltda., Faccio Transportadora Ltda., Agropecuária Catarinense Ltda., Faccio Participações Ltda., Agrícola Maripá Ltda. e Sagel Comércio de Cereais Ltda. Também são investigados Pedro Sutilli e Simone Marquetti.
O nome de Leandro Zavodini já havia aparecido em outra investigação no fim do ano passado. Ele foi preso durante a Operação Ignis Justiça, deflagrada pela Polícia Civil em Lucas do Rio Verde para investigar um suposto esquema envolvendo furto de energia elétrica, adulteração de medidores, estelionato, fraude processual e corrupção.
Na ocasião, Zavodini foi apontado pela investigação como um dos líderes do esquema, que teria causado prejuízos milionários à concessionária Energisa.
A prisão ocorreu em um hotel de luxo na zona sul de São Paulo, onde o empresário participava de um torneio de pôquer.
Dias depois, ele conseguiu a liberdade mediante o pagamento de fiança de R$ 1 milhão.
As investigações atuais, conduzidas pelo Gaeco, são distintas e estão relacionadas ao suposto desvio de cargas de grãos. Os envolvidos são investigados e não foram condenados pelos fatos apurados na operação.
A terceira fase da Operação Safra Desviada busca avançar na apuração sobre o possível desvio de produtos agrícolas e identificar a participação de empresas e pessoas no esquema.
Com as medidas determinadas pela Justiça, os investigadores também pretendem localizar documentos, equipamentos e outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.