O senador e pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), enfrenta uma crise interna no próprio partido após articulações de bastidores que aproximam o PL do MDB no estado. A movimentação, que teria como objetivo viabilizar alianças políticas para 2026, gerou forte reação entre prefeitos da sigla e lideranças bolsonaristas.
Nos bastidores, Wellington é apontado como o principal articulador de uma possível união entre PL e MDB — partido historicamente visto como adversário ideológico por parte da base conservadora. A aproximação envolveria diretamente a deputada Janaína Riva (MDB), nome cotado para disputar o Senado, o que ampliou ainda mais o desgaste dentro do grupo.
Prefeitos de peso do PL em Mato Grosso, como Abílio Brunini (Cuiabá), Cláudio Ferreira (Rondonópolis) e Flávia Moretti (Várzea Grande), não apenas evitaram declarar apoio ao projeto de Wellington como também se aproximaram de outro grupo político, ligado ao vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), possível candidato ao Palácio Paiaguás.
A resistência não é vista apenas como divergência pontual, mas como reflexo direto do desconforto com a tentativa de aliança. Nos bastidores, a avaliação é de que a união com o MDB obrigaria lideranças do PL a dividir palanque com antigos adversários políticos, o que poderia gerar desgaste junto ao eleitorado.
Além disso, há preocupação com o cenário futuro. Prefeitos e aliados avaliam que o MDB deve voltar a disputar diretamente eleições municipais em 2028, o que tornaria a atual aproximação politicamente contraditória. O receio é que a aliança fortaleça, hoje, um grupo que pode ser adversário direto amanhã.
Para tentar conter a crise, Wellington tem adotado o discurso de que a aproximação segue uma tendência nacional, citando diálogos entre lideranças do PL e do MDB em Brasília. No entanto, dentro do partido, a leitura predominante é de que a articulação é local e tem interesses diretos na composição da chapa majoritária em Mato Grosso.
Entre militantes e lideranças mais alinhadas ao bolsonarismo, cresce a crítica de que a estratégia pode “descaracterizar” o partido no estado, ao aproximá-lo de siglas sem alinhamento ideológico claro. A movimentação também levanta questionamentos sobre o impacto eleitoral da possível aliança.
Nos bastidores políticos, a avaliação é de que Wellington tenta se afastar do desgaste da articulação, mesmo sendo apontado como protagonista do movimento. A estratégia, porém, não tem surtido efeito entre aliados mais próximos, que já tratam o episódio como uma crise interna aberta.
Com o cenário indefinido, o senador entra em um momento delicado de sua pré-campanha, tendo que equilibrar interesses políticos, alianças estratégicas e a insatisfação crescente dentro do próprio partido.