A violência no campo ganhou um capítulo de alta tecnologia e extremo risco no Noroeste de Goiás. Um empresário do agronegócio sobreviveu a duas tentativas de assassinato utilizando drones equipados com granadas de alto poder explosivo. As investidas, ocorridas em janeiro, são atribuídas pela Polícia Civil a um grupo criminoso baseado em Primavera do Leste (MT), movido por uma dívida milionária.
Os ataques foram meticulosos e revelam uma escalada perigosa nos
métodos de cobrança e intimidação. A primeira tentativa aconteceu em 15 de
janeiro, quando um drone sobrevoou a residência do empresário em Itaberaí e
lançou uma granada. Dois dias depois, em 17 de janeiro, uma nova investida foi
frustrada apenas por uma falha técnica: o equipamento caiu dentro da propriedade
antes de conseguir detonar o artefato.
De acordo com o delegado Kleber Rodrigues, responsável pelas
investigações, o perigo ia muito além do alvo. "O artefato apresentava
alto poder letal, com capacidade para destruir a casa e atingir imóveis vizinhos",
explicou o delegado à imprensa. O episódio colocou em risco a segurança de toda
a região.
A motivação do crime, segundo a apuração policial, tem raízes em uma
transação comercial frustrada. A investigação aponta para uma dívida de R$ 1,5
milhão, relacionada à compra de sementes de milho intermediada por terceiros.
Com a colheita sem gerar o retorno financeiro esperado, o empresário não honrou
o pagamento no prazo estabelecido. As ameaças que começou a receber rapidamente
evoluíram para as tentativas de execução.
A Polícia Civil já deu um passo importante no desmantelamento da
operação. Três integrantes do grupo criminoso de Mato Grosso foram presos. Eles
são apontados como "cobradores" que atuam com métodos violentos para
intimidar e executar alvos por encomenda. O material bélico usado chama a
atenção: a granada de guerra utilizada é de uso exclusivo das Forças Armadas e
totalmente proibida no Brasil. As investigações indicam que o artefato pode ter
contrabando do Paraguai como origem.
Enquanto os executores estão presos, o cérebro da operação, o mandante
que encomendou os ataques, continua foragido. O caso expõe não apenas uma
disputa comercial que virou caso de polícia, mas a sofisticação e a crueldade
de novas modalidades de crime organizado que começam a se infiltrar nos
conflitos do agronegócio.
A investigação segue em andamento para localizar o mandante e desvendar
toda a rede de obtenção e transporte dos explosivos ilegais.