JUSTIÇA NO CAMPO Deputado Nininho apresenta projeto que impede embargo de pequenas propriedades rurais em MT

Projeto apresentado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso prevê prazo de 24 meses para adequação ambiental de propriedades de subsistência

O fim do impasse entre a fiscalização ambiental e a sobrevivência da agricultura familiar em Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (11/2), na Assembleia Legislativa. Com o objetivo de interromper o que classifica como “excessos” da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), o deputado Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos) protocolou um Projeto de Lei Complementar (PLC) que proíbe o embargo imediato de pequenas propriedades. A proposta impede que multas e interdições travem a produção de alimentos e o sustento de famílias.

O texto altera a Lei Complementar nº 38, de 1995, para impedir a aplicação de sanções como suspensão de atividades e interdição temporária contra pequenos agricultores de subsistência. Segundo o projeto, as propriedades com até quatro módulos fiscais que se enquadrem nos critérios da Lei Federal 11.326/2006 terão prazo mínimo de 24 meses para realizar intervenções de mitigação de danos ambientais após a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

SUBSISTÊNCIA

Para Nininho, a atuação atual do órgão fiscalizador tem inviabilizado a sobrevivência de famílias que dependem da terra para o consumo próprio e venda de excedentes. “Estamos apresentando esse PLC para que a Sema pare de embargar as propriedades dos pequenos produtores”, ressalta o parlamentar. Segundo ele, a legislação federal já oferece um norte protetivo que não estaria sendo plenamente respeitado na esfera estadual.

O deputado critica o rigor das sanções administrativas em áreas de pequena escala. “A Sema exagera nessas questões, onde embarga e multa, inviabiliza os pequenos produtores. Esse projeto de lei vem com o intuito de ajudar esses produtores a continuarem trabalhando, produzindo alimento e garantindo o sustento”, justifica.

JUSTIÇA SOCIAL

A justificativa da matéria argumenta que a agricultura familiar não é a principal responsável pelos desequilíbrios ecológicos do Estado. O parlamentar ressalta que a falta de recursos financeiros impede que esses trabalhadores realizem adequações ambientais imediatas sem comprometer a segurança alimentar.

A proposta também cita alinhamento com a Agenda 2030 da ONU, especialmente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados à erradicação da pobreza e à produção sustentável. O foco, segundo o autor, é garantir que a preservação ambiental não ocorra à custa da exclusão social do homem do campo.

“Existem muitas maneiras de preservar e cuidar do meio ambiente sem prejudicar os pequenos produtores que vivem da terra e enfrentam dificuldades para sustentar suas famílias”, afirma Nininho.

TRAMITAÇÃO

O PLC segue agora para análise das comissões temáticas da Assembleia Legislativa, incluindo a Comissão de Meio Ambiente e a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), além da Comissão de Recursos Hídricos e Recursos Minerais. Se aprovado e sancionado pelo governador, o Poder Executivo terá prazo de 90 dias para regulamentar as novas diretrizes.

Nininho defende que a medida corrige uma distorção histórica no tratamento dado ao setor. “Essas pequenas propriedades precisam de um olhar diferenciado por parte desta Casa de Leis e dos governos estadual e federal”, conclui o deputado.

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Redação GNMT