O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atravessa um momento de forte turbulência interna, marcado por novas exonerações de servidores estratégicos e um aumento de críticas à gestão do presidente Márcio Pochmann, segundo relatos de representantes dos trabalhadores e dirigentes sindicais.
Na última semana, a coordenadora de Contas Nacionais, responsável por trabalhos centrais como a revisão de metodologias de cálculo e a atualização de bases históricas, foi exonerada em meio à crise. Além dela, outros servidores em posições de gerência — incluindo nomes com atuação no mesmo setor — também deixaram seus cargos recentemente, o que gerou preocupação sobre a continuidade técnica de projetos importantes.
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística (Assibge-SN), que representa os servidores do IBGE, classificou as exonerações como uma espécie de “caça às bruxas” e criticou a falta de planejamento na transição de funções essenciais. De acordo com a entidade, mudanças nessa magnitude deveriam priorizar “a continuidade dos programas de trabalho e a preservação institucional”.
Segundo o sindicato, a gestão de Pochmann tem tomado decisões sem diálogo adequado com o corpo técnico, o que tem fragilizado equipes já sobrecarregadas pela escassez de pessoal e pela ausência de um plano de transição claro. Para a entidade, isso contrasta com a necessidade de manter estabilidade e qualidade na produção dos dados oficiais que influenciam políticas públicas em todo o país.
As exonerações ocorrem em um contexto mais amplo de insatisfação dos servidores em relação à direção do instituto, que se intensificou com a proposta de criação da fundação de direito privado conhecida como IBGE+ — uma iniciativa criticada por trabalhadores por considerarem que pode comprometer a autonomia técnica e a credibilidade do órgão.
Em resposta às críticas, a presidência do IBGE divulgou comunicados defendendo a gestão e classificando parte das acusações como inverdades, ressaltando a importância de esclarecer os fatos e reafirmar o compromisso do instituto com a qualidade técnica.
A crise interna também já mobilizou servidores em protestos e manifestações em defesa da autonomia do IBGE e em oposição às mudanças administrativas implementadas pela atual gestão.